"Elaboração e organização de instrumentos de
acompanhamento e avaliação da aprendizagem
e desenvolvimento das crianças"
*Adrianne Ogêda Guedes*
Revista Criança
Hoje vamos discutir o
sentido de avaliar na educação.
A avaliação sempre
estará presente em nossa prática educativa,
inclusive nos momentos
de inserção de novas crianças e ao longo
de nossos
planejamentos.
A cada decisão, cada planejamentos e até nossa
postura como professor deve ser constatemente avaliada e repensada, para que
sempre que for necessário seja melhorada.
A avaliação é,
portanto, um ato que sugere movimento,reflexão e transformação.
É importante ressaltar
que a avaliação não é um instrumento para medir o quanto a criança aprendeu nem
tampouco é uma forma de julgar, reprovar ou aprovar uma criança. A avaliação,
que de fato contribui para o crescimento da criança e para o trabalho do
professor, precisa ser mediadora e acolhedora. É ela que possibilitará
o acompanhamento da
criança em todos os momentos vividos na Educação
Infantil,contribuindo
com seu avanço na ampliação do conhecimento de si e do mundo.Acompanhar o
desenvolvimento da criança ajuda o professor a rever e aprimorar seu trabalho.
Neste sentido avaliar a criança nos leva também a avaliar nossa própria ação
pedagógica e também a instituição na qual estamos inseridos. Afinal, avaliar é
o movimento de pensar tudo que envolve nossa prática e buscar caminhos de
torná-la cada vez mais coerente e mais contextualizada.
A professora Jussara
Hoffmann – muito conhecida por suas pesquisas sobre o
tema da avaliação
educacional – afirma que: “A avaliação deve ser
entendida
como uma prática
investigativa e não sentenciva, mediadora e não constatativa.
Não são os julgamentos
que justificam a avaliação, as afirmações inquestionáveis sobre o que a criança
é ou não é capaz de fazer.” (2000: 15). Portanto, não devemos avaliar as
crianças para classificá-las,julgando o que sabem ou não sabem fazer,
padronizando comportamentos, constatando apenas as suas “capacidades”, quantifi
cando seus saberes e apontando seus erros. Sua história deve ser considerada,
as conquistas valorizadas, as descobertas apreciadas. Para
Hoffmann, a avaliação
é uma forma de conhecer/investigar o movimento
das crianças e, a
partir desta investigação, pensar formas de intervenção
que possam favorecer o
desenvolvimento e a ampliação dos conhecimentos da criança. Avaliar é
comprometer-se com a criança, seu sucesso e suas
conquistas.Por isso, é
fundamental estudarmos mais sobre o desenvolvimento infantil. Muitas vezes as
crianças com as quais trabalhamos nos surpreendem com respostas inusitadas que
nos mostram o quanto elas pensam sobre o mundo à sua
volta, bem como as
ligações entre os diversos conhecimentos que vão
construindo na relação
com os elementos da cultura, com seus parceiros
e com o ambiente. A
escuta do ponto de vista da criança é, portanto,
fundamental! Ela nos
revela muito, por um lado, sobre quem é aquela criança,
quais são as suas
vivências e experiências e, por outro, so-
bre a lógica infantil.
As falas de nossas
crianças nos fornecem preciosas pistas sobre suas
hipóteses, suas idéias
próprias e, partindo do que elas pensam, podemos
desafiar o avanço de
seus conhecimentos com atividades
interessantes e
instigantes. Tal qual “detetives”, precisamos olhar, escutar,
observar com
atenção o que nossas crianças demonstram, o que lhes chama a atenção. Isto nos
fornece elementos não só para compreender mais sobre cada uma delas, mas também
para que possamos planejar nosso trabalho. Se soubermos os interesses,
curiosidades, dúvidas, difi culdades de nossas crianças, podemos pensar em
propostas que vão ao encontro delas.
Um aspecto
significativo da prática avaliativa é o registro(escrito, fotográfico,
ou outro). Registrar o
vivido pela criança permite que acompanhemos suas
conquistas e avanços.
É importante termos em vista que não podemos nos
basear apenas na nossa
memória, porque ela é muitas vezes falha.
Se não registramos
nossas experiências corremos o risco de esquecer detalhes preciosos do vivido!
Se surgem curiosidades
sobre algum assunto por parte das crianças,se
registramos suas
perguntas, podemos, em outro momento, buscar fontes
de consulta para
alimentar o trabalho. O professor não precisa ter todas
as respostas!
Ele é na verdade um
pesquisador que vai buscando dia a dia ampliar também
seus recursos e
conhecimentos, junto com suas crianças.
O professor é alguém
que questiona, que organiza o grupo em
torno das necessidades
e curiosidades que surgem. Mais experiente,
vai sugerindo
caminhos, desdobramentos, desenvolvimentos a partir das
idéias e sugestões
infantis.
Enfim, avaliar é abrir
uma janela para compreender mais profundamente
nossas crianças e a
nós mesmos. Assim teremos recursos para aprimorar
a educação e fazê-la
mais e mais uma experiência rica e signifi cativa para
crianças e
professores.
Artigo retirado da
Revista Criança